QUE TODOS CELEBREM A VERDADEIRA PÁSCOA, JESUS

A data é símbolo, não de chocolates, porém de libertação da escravidão do pecado. É comum associar a Páscoa a ovos de chocolate e coelho, mas seu significado é diferente do que as lojas costumam mostrar. A Bíblia Sagrada revela que o evento teve início quando Deus ordenou as primeiras comemorações ainda no Egito. Durante vários anos os hebreus foram submetidos a trabalhos forçados no Egito e passaram por diversas dificuldades. Como escravos, eles sequer tinham direito à própria vida. Eles ainda experimentaram a dor de terem seus filhos arrancados de seus braços por ordem do Faraó e lançados ao Rio Nilo para morrerem (Ex 1:22). Mas depois de serem severamente castigados por Deus através de Moisés e Arão (Ex 3:20) culminando na morte de todos os primogênitos egípcios, Faraó se rende ao poder de Javé (YHVH) e permite a Israel sair do Egito (Ex 12:30-33).

É nesse período que o Senhor ordena aos filhos de Israel que comemorassem a Páscoa. Quando Deus enviou o anjo “destruidor” para eliminar os primogênitos da terra do Egito, os israelitas estavam em suas casas. As ordens divinas eram que cada família tinha que tomar um cordeiro macho de um ano de idade, sem defeito e sacrificá-lo ao entardecer do dia 14 do mês de Abibe (Abril). Apenas famílias menores podiam repartir um cordeiro entre si. A partir de então, os hebreus passaram a oferecer o sacrifício como uma forma de comemorar sua libertação do Egito; com exceção do primeiro, que foi um sacrifício eficaz (prefigurando o de Cristo Jesus).

Parte do sangue do animal deveria ser aspergido nas duas ombreiras e na verga da porta; então quando o anjo “destruidor” passasse por aquela casa e visse o sinal de sangue, aquela família seria poupada da morte (Ex 12:23). O Novo Testamento esclarece que as festas judaicas “são sombras das coisas futuras” (Cl 2:16,17; Hb 10:1) e o Senhor Jesus é o próprio Cordeiro de Deus, “o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (João 1:29), que morreu na cruz e derramou seu sangue para o perdão dos pecados dos homens que o recebem como Salvador e Senhor.

Creio que podemos aproveitar a oportunidade para fazer um breve estudo do plano de redenção, visto que é nesse contexto teológico que essas verdades precisam ser entendidas.

A necessidade do sacrifício de Jesus é uma decorrência da justiça de Deus. Foi Deus mesmo quem disse que “a alma que pecar, essa morrerá”, e que “o salário do pecado é a morte”. No jardim do Éden, Deus deixou claro ao “primeiro Adão” que sua desobediência o levaria à morte. Assim como um juiz humano não pode fazer justiça inocentando um ladrão e liberando-o do cumprimento de sua pena, da mesma forma, o Deus Justo não poderia inocentar nem reaproximar de si o pecador sem que a pena (no caso, de morte) fosse cumprida. Quem peca merece morrer, e a justiça de Deus faz com que essa exigência deva ser cumprida rigorosamente.

No entanto, Deus não é apenas justiça. Entre seus atributos divinos também encontramos a misericórdia, a compaixão, a bondade e o amor (entre outros). E esses atributos o levaram a querer buscar o pecador condenado. Contudo, precisamos lembrar que, mesmo sendo amoroso, Deus jamais deixa de ser justo.

Em sua sabedoria infinita, e movido por seu infinito amor, Deus encontrou uma maneira de resgatar os pecadores sem abrir mão de sua justiça. Essa solução foi à expiação vicária, ou seja, o pagamento da dívida mediante a morte de um substituto inocente, no lugar do pecador culpado. Deus resolveu aceitar que o castigo da morte recaísse sobre um inocente que se apresentasse para morrer em lugar do pecador (esse inocente era Jesus).

Esse plano de redenção era anunciado nos dias do Antigo Testamento através do sistema sacrificial, que teve início como vimos acima. Nesse sistema, o pecador levava até o altar um animal inocente, designado por Deus, sem defeito, sobre o qual o pecador impunha as mãos numa simbólica “transferência” de pecados. Esse animal era sacrificado “em lugar” do pecador, que, expressando obediência e fé em seu ato sacrificial, realizado conforme as estipulações divinas, era aceito por Deus (Antiga Aliança).

Esses sacrifícios transitórios apontavam para o sacrifício definitivo de Jesus Cristo, onde também haveria um inocente, sem defeitos, designado por Deus para morrer em lugar do pecador. Todos esses sacrifícios do Antigo Testamento eram insuficientes, pois a própria escritura nos assegura no livro aos Hebreus, que “o sangue de touros e bodes não removem pecados”. Nem poderiam remover, pois, na matemática divina, um boi não vale o mesmo que um homem, e a satisfação que a morte de um boi pode conseguir é insuficiente para assegurar o perdão de um ser humano. Para que o sacrifício “quitasse” a dívida de um homem pecador, era necessário que fosse sacrificado um homem inocente.

Evidentemente, não existia sobre a face da terra nenhum homem inocente. “Não há justo, nem um sequer”; “todos pecaram e carecem da glória de Deus”, diz as Escrituras. Então, foi necessário que o próprio Deus se fizesse homem, na pessoa de Jesus, para nascer sem pecado, inocente. Como foi o segundo homem a nascer sem pecado, Jesus é chamado de “o segundo Adão”. O primeiro Adão, embora criado sem pecado, desobedeceu, e mereceu a morte. O segundo Adão, Jesus, teve uma vida de obediência perfeita, e foi completamente inocente diante de Deus. O segundo Adão fez o que o primeiro não fez – obedeceu. Assim, Ele poderia morrer em lugar de outro ser humano, para que o Deus Justo, vendo cumprida a pena de morte sobre um inocente substituto, pudesse reaproximar de si o homem pecador.

Matematicamente, entretanto, ainda parece permanecer um outro dilema: Não seria necessário que vários homens inocentes fossem sacrificados para que vários homens pecadores pudessem ser recebidos diante de Deus? Aparentemente, sim! No entanto, não podemos nos esquecer de que Jesus não era um homem comum: Ele era (e ainda é, e sempre será) o próprio Deus, na pessoa do Filho. Sendo assim, sua morte é suficiente para salvar todos aqueles por quem Ele morreu.

As pessoas por quem Jesus morreu serão ressuscitadas com Ele. Serão novamente imortais como foi o primeiro Adão. Mas não terão como o primeiro Adão teve, a possibilidade de pecar. O primeiro Adão fez o caminho da Queda – possuiu a liberdade e fez por merecer sua condenação. Nós fizemos o caminho contrário – nascemos condenados e, por meio de Jesus, recebemos libertação. Nisso, somos diferentes do primeiro Adão – ele foi criado perfeito, nós nos tomamos perfeitos por causa da obra de Cristo. Nesse sentido, somos uma “nova criação”, uma “segunda raça”, haja vista que nascemos de novo em Cristo (I Co 5:17). Jesus foi o primeiro dessa nova raça, pois Ele experimentou a morte e já tem seu corpo glorificado. Ele é o primeiro a ter experimentado a morte e ter recebido um corpo glorificado, e por isso ele é o primogênito, ou seja, Ele tem a primazia em tudo. A raça nova que ele inaugura é de pessoas santificadas, não nascidas sem pecado, como a primeira raça, e por isso mesmo pertencentes a uma ordem diferente da do primeiro Adão (Nova Aliança).

Esclarecida a questão do plano de redenção, entendemos que para nós cristãos, a páscoa possui um rico simbolismo profético, pois fala de Cristo e sua morte na cruz para salvar a humanidade da condenação do pecado. A Páscoa é sinônimo de vida, pois ao terceiro dia Jesus ressuscitou dentre os mortos. Este evento comprova que Ele é realmente o Filho de Deus (Jo 10:17,18; Rm 1:4) e garante a eficácia de sua morte redentora ( Rm 6:4; I Co 15:17). Esse é o sentido da verdadeira Páscoa! JESUS!

Pr. Carlos Eduardo dos Santos Azevedo

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