A VERDADEIRA BENÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO

 

Vamos teologar em II Coríntios 8.1-4
  1. Também, irmãos, vos fazemos conhecer a graça de Deus dada às igrejas da Macedônia;
  2. porque no meio de muita prova de tribulação, manifestaram abundância de alegria, e a profunda pobreza deles superabundou em grande riqueza da sua generosidade.
  3. Porque eles, testemunho eu, na medida de suas posses e mesmo acima delas, se mostraram voluntários,
  4. pedindo-nos, com muitos rogos, a graça de participarem da assistência aos santos.

A luz destas verdades divinas, Paulo nos ajuda a identificar como devemos fazer nossas ofertas e contribuições ao Reino de Deus. É-nos lícito, que nossa contribuição não deve ser com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama quem dá com alegria (II Co 9.7). Entretanto, podemos aprender aqui com as orientações do apóstolo a igreja de corinto, mediante o grande exemplo das igrejas da Macedônia, quando o mesmo os faz conhecer a graça que o próprio Deus havia manifestado a estes irmãos (v.1).

Esta graça de Deus é manifestada na alegria e generosidade dos Macedonicos em contribuir e ofertar, independente das dificuldades e adversidades que estavam enfrentando. Observe você que o texto relata em primeiro lugar, as circunstâncias em que eles estavam atravessando, ou seja, porque no meio de muita prova de tribulação, bem como a profunda pobreza deles, não os impediu de manifestaremabundância de alegria, superabundando em grande riqueza da sua generosidade (v.2).

Nisto aprendemos em primeiro lugar, que nossa oferta bem como nossa contribuição para o Reino de Deus deve ser com alegria e generosidade, independente das circunstâncias, das lutas, das tribulações, da pobreza, das provações que estamos atravessando. Isso porque, ninguém é demasiadamente pobre que não possa ofertar com alegria e generosidade a Deus, que não olha para o valor e sim para a intenção do coração e sua sinceridade. Observamos que a alegria dos irmãos estava pautada no Senhor, isto é, em tê-lo como seu maior bem, e em nenhum momento nas circunstâncias da vida. Isso também nos ensina que não devemos ser influenciados pela situação, ou seja, se vai tudo bem eu estou bem, se vai tudo mal eu estou mal. Devemos entender que nossa alegria não depende da ocasião e sim da plena certeza da presença e do poder de nosso Deus e Pai em nossas vidas.

João Calvino entende que pelo termo alegria, Paulo quer dizer “o conforto espiritual pelo qual os crentes são sustentados nas aflições”. Diz ele, “o ímpio ou ilude-se a si mesmo com consolações vazias, evitando o pensamento do mal e recreando sua mente com vagas meditações, ou se entrega completamente a tristeza, deixando-se submergir nela; mas os crentes meditam em suas próprias aflições, esperando uma ocasião propícia para alegrarem-se”, conforme lemos em Romanos 8.28.

Notemos também que podemos ser liberais mesmo quando mergulhados na mais terrível dificuldade e carência, quando suprimos a deficiência de nossos bolsos pela generosidade de nossos corações.

Esta graça de Deus também é manifestada na abundância e voluntariedade dos Macedonicos em contribuir e ofertar, pois eles não apenas davam com generosidade, mas também com sacrifício (v.2), pois ofertavam não apenas segundo suas posses, mas voluntariamente ofertavam acima delas (v.3).

Aprendemos em segundo lugar, que nossa oferta bem como nossa contribuição para o Reino de Deus deve ser com abundancia e voluntariamente, não da sobra, ou do que não nos custe nada, nem tão pouco por obrigação, porém com amor, como um sacrifício agradável a Deus, sim voluntariamente, depositando no altar uma oferta ao Senhor, como aroma suave a subir até suas narinas.

William Hendriksen escreve que Paulo não poderia ter tributado melhor louvor aos doadores. Os donativos são “aroma de suave perfume”, uma oferenda apresentada a Deus, grata e muito agradável a ele.

João Calvino aplica o termo aqui referido de “liberalidade”, e essa, espontânea; que é posto por ele, como “o oposto de mesquinhez”. Pois, diz ele, “o que nos torna mais avarento do que deveríamos é o fato de que somos demasiadamente precavidos, imaginando e olhando demais para os prováveis perigos que nos poderão ocorrer; e, por isso, nos tornamos excessivamente cautelosos e cuidadosos, calculando muito petulantemente quanto precisamos para toda a vida e quanto perdemos, quando uma porção mínima é tirada de nós. Mas aquele que depende da benção do Senhor tem seu espírito livre dessas preocupações ridículas, enquanto, ao mesmo tempo, tem suas mãos livres para a prática da beneficência.”

Esta graça de Deus continua sendo manifestada em favor dos Macedonicos no intenso desejo e na compreensão do privilégio de serem cooperadores de Deus, no tocante a contribuir e ofertar, pois eles ofertavam não apenas para Paulo, o plantador da igreja, mas também para irmãos pobres que eles jamais tinham visto; pedindo-nos, com muitos rogos, a graça de participarem da assistência aos santos (v.4), assim entendiam que graça é favor imerecido e por tanto, para eles isso consistia em um grande privilégio junto a Deus, em favor do Reino.

Aprendemos em terceiro e último lugar, que nossa oferta bem como nossa contribuição para o Reino de Deus deve ser compreendida como uma grande dádiva, haja vista que não somos merecedores de cooperarmos com o dono do ouro e da prata, pois tudo vem de suas mãos, inclusive o nosso sustento (I Cr 29.11-14). Todavia, movidos por ardentes desejos de alegria generosa e liberalidade espontânea, devemos procurar ansiosamente, metodicamente e de forma comedida, participar da contribuição e das ofertas, a fim de que a obra progrida em favor daqueles que proclamam, bem como dos que serão alcançados pelo evangelho de nosso Redentor e Salvador Jesus Cristo. Indubitavelmente, isto é algo aprazível ao Deus da Glória.

João Calvino é pertinente quando nos afirma: “visto que nosso Pai celestial nos concede todas as coisas por sua soberana graça, devemos ser imitadores de sua graciosa benevolência, praticando também atos de bondade em favor de outrem; e, em razão de nossos recursos virem dEle, não somos mais que despenseiros dos dons de sua graça.”

Podemos assim concluir, que é um grande privilégio para nós sermos participantes desta graça bendita, contribuindo com alegria, generosidade, abundância e voluntariamente para o sustento do obreiro, bem como para expansão do Reino de Deus. Essa é a verdadeira benção da contribuição.

Pr. Carlos Eduardo dos Santos Azevedo

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